Conheça a influência que você tem sobre o comportamento hiperativo do seu filho
“Meu filho é terrível, muito irritado, muito agitado, não dá para ir a lugar nenhum com ele, meu filho não é uma criança normal!”
Você já falou isso ou já ouviu mães dizerem coisas assim?
Pois essa é a reclamação que mais escuto de mães e pais que não sabem mais o que fazer com o excesso de agitação e até agressividade do filho. Você não sabe mais o que pensar, não é? Muitas vezes os pais definem que o filho é hiperativo, nem é a partir do diagnóstico de um especialista, mas da opinião de várias pessoas que chegaram a essa conclusão observando comportamentos. E muitas vezes, o especialista define que aquela criança é hiperativa impulsionado pelo desespero dos pais em descrever o comportamento do filho.
Hiperatividade, assim como outros termos ligados a transtornos, já se tornou algo comum na fala de mães e pais e tem causado muito sofrimento, na maioria dos casos. E o uso indiscriminado da palavra, pode elevar o número de crianças chamadas de “hiperativas” a uma dimensão desproporcional ao que a literatura indica e os especialistas apontam.
Você sabia que um grande número de crianças apresentam comportamentos de um “cérebro desgovernado”? E que, no Brasil, apenas 4,4% de crianças e adolescentes, de 4 a 18 anos, sofrem do verdadeiro transtorno que caracteriza-se como a “hiperatividade patológica”? Sendo que a maioria esmagadora das crianças não são hiperativas patologicamente, mas apenas crianças SUPER-ATIVAS. Aos 3 anos de idade ocorrem um milhão de conexões entre os neurônios e elas só começam a ficar mais estáveis aos 10 anos de idade.
As crianças são exigidas cotidianamente a focar sua atenção em um excesso de estímulos ao mesmo tempo. Nós, adultos, a expomos ao risco de receber uma quantidade de estímulos desproporcional para a sua idade ou para as suas etapas de desenvolvimento. Mas não sabemos o que fazer, não é mesmo?
Na verdade, o que acontece é que elas ‘mudam o foco da atenção’ com muita rapidez e isso pode se expressar como um nível exagerado de agitação.
Que tal você começar a pensar se o seu filho é realmente hiperativo ou apenas super-ativo? Significa que, por uma característica natural do cérebro infantil, ele parece movimentar-se excessivamente, agitando o ambiente e as pessoas, além do normal.
Segura essa: o que torna essa ‘movimentação’ e ‘agitação’ anormais é o comportamento dos pais!
Por isso, a minha dica de hoje é:
– comece imediatamente a observar como você reage diante da super-atividade do seu filho;
– responda a si mesmo se o seu filho não chegou àquele nível de agitação por “imitação” e se não está apenas refletindo o seu comportamento com ele, nesses momentos.
Conheça agora TRÊS TÉCNICAS SIMPLES para você lidar com isso:
#1 – Passe a “inverter” o seu comportamento. Isso se chama “reação-antídoto”. Você deve reagir exatamente como o oposto do que ele estiver fazendo. Se a agitação dele te agita, o resultado vai ser “explosivo”, assim como uma reação química!
#2 – Se estiver em casa: pare por alguns minutos o que estiver fazendo, coloque uma música calma, pegue um dos brinquedos dele (de preferência o que ele mais gosta), sente-se no chão e comece a mexer no brinquedo. Chame-o, calma e carinhosamente, como se nada estivesse acontecendo, e peça-lhe que lhe ensine como brincar.
#3 – Se estiver em local público (mercado, shopping, parquinho): olhe rapidamente ao redor e descubra algo para onde possa direcionar a atenção dele. Comece a manipular, conforme o que você encontrou, e peça-lhe ajuda para entender como fazer, como usar, como saber o que é aquele algo, por exemplo.
Essa sequência de técnicas chama-se “mudança do foco imediato e percepção de autoridade”, por parte da própria criança. E esse é o segredo da técnica que a torna infalível e poderosa: descubra algo, no ambiente do conflito, que provoque a mudança do foco imediato da atenção da crianca; você precisa agir de um jeito tão natural que ela vai se sentir importante e no controle da situação, mas de modo positivo e saudável.
E sabe por que é infalível? Se você leu até aqui, você percebeu que utilizamos o que já acontece com a criança e apenas ressignificamos, redirecionamos a força do comportamento negativo para um comportamento positivo e saudável!
Adote essa atitude e seu filho, gradativamente, desenvolverá autodomínio, autoconfiança, sensação de prazer por ajudar e passará a agir com mais serenidade, mesmo sem perder a energia e a alegria da infância! E o melhor de tudo: ele vai se sentir amado, porque você estará, nos momentos mais difíceis, numa atitude de quem o compreende e apoia 😉
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Forte abraço.
Dra. Olzeni Ribeiro